Havana, Cuba, Março de 2018....
Decidi conhecer um novo país, uma cultura diferente da
nossa, uma ilha do continente central que vive num regime ditatorial desde o final dos anos 50 após a vitória dos irmãos Fidel sobre o regime de Fulgêncio Batista. Sim, Cuba, é pra lá que eu fui fazer minha primeira viagem internacional, até porque Paraguai e um pisão na Argentina não contabilizei como 'viagem internacional' rs!
O que antes era o quintal dos Norte-Americanos, a Las Vegas de outrora se transformou num país que desperta o fascínio a quem se interessa por história viva, e a ilha de Fidel é um dos poucos países do planeta Terra que parou no tempo, lá na revolução de 1959, com seus carros daquela época, o tempo ali parece ter estacionado.
A ilha caribenha localizada a 150 quilômetros de Miami-USA, um lugar extraordinário. Mas não estou aqui para falar de Cuba, mas sim de um sorriso.
O que antes era o quintal dos Norte-Americanos, a Las Vegas de outrora se transformou num país que desperta o fascínio a quem se interessa por história viva, e a ilha de Fidel é um dos poucos países do planeta Terra que parou no tempo, lá na revolução de 1959, com seus carros daquela época, o tempo ali parece ter estacionado.
A ilha caribenha localizada a 150 quilômetros de Miami-USA, um lugar extraordinário. Mas não estou aqui para falar de Cuba, mas sim de um sorriso.
Quando a gente assiste aos fáceis filmes de comédia
romântica, a gente (solteiro ou não) sempre se coloca no lugar do protagonista,
que sempre encontra o amor da vida nos lugares mais distintos possíveis e nas
situações mais desafiadoras e inusitadas, e a gente se pergunta, quando será a nossa
vez? Será na farmácia, na padaria, na fila do cinema ou no Tinder? Ou já
encontramos, nos alto sabotamos e continuamos na busca incansável por dividir
um Netflix no domingo tedioso.
Na terceira noite em Havana saí para jantar, andando pelas
vielas envolta por casarões antigos antes ocupados pelos ricos e nobres, hoje
por trabalhadores e trabalhadoras cubanas localizados a poucos metros do Museu
da Revolução, escolhi um lugar aconchegantes, mesas postas à rua, e um nome
sugestivo La Ancla (A âncora), ali experimentei pela primeira vez a tão falada
por quem visita a costa brasileira, lagosta, realmente, um prato excepcional.
Mas não estou aqui para falar do país, nem do prato, mas
sim, de um sorriso. A cerveja LaBucaneiro vendida a três e cinquenta dólares,
lá a moeda usada pelos turistas é chamada de CUC – Unidade de Conversão Cubana
que tem o valor de um por um dólar. Essa mesma cerveja é facilmente encontrada
durante o dia nos bares mais simples da velha Havana por um e cinquenta Cucs,
embora os moradores da ilha prefiram a cerveja Cristal, por ser mais leve,
durante meus dez dias por lá quase sempre preferi a LaBucaneiro. Mas não estou
aqui pra falar do país, do prato, muito menos da cerveja, mas sim de um
sorriso. Ainda mais que lá a tradição é o Rum, um destilado sem igual.
Ela veio me atender sorridente, eu usando do meu portunhol horrível
para me comunicar, mas até que nos entendemos bem, a tatuagem da torre Eiffel
no seu antebraço me chamou a atenção, você é fã de Paris? Fiz a pergunta mais
óbvia e ridícula que poderia, mas havia de iniciar a conversa de alguma forma,
não me julguem! Rs. Sim, simpaticamente me respondeu. Faço faculdade de idiomas
(Relações Internacional, ou algo nesse sentido) e lá estudamos francês e
inglês, além do idioma nativo, claro. Era uma garçonete com um sorriso
encantador, daqueles que sorriem com os olhos, a pele morena da cor
característica de uma genuína latina, cabelos lisos, pequena, simpática, me
apaixonei, me apaixono rápido, só não mais rápido quanto me desapaixono, rs!
Naquela noite havia poucas mesas a serem atendidas, ela
concentrou quase que toda sua atenção à minha, às vezes nos pegávamos trocando
olhares, me senti o verdadeiro protagonista de um filme de romance americano.
Não perderia a oportunidade de convidá-la pra sair, aquela talvez seria a
última vez que a veria, e conhecemos bem que a vergonha de expressar o que o
coração sente nos faz perder oportunidades divinas que nos são dadas e não são
agarradas, ah, não! Estou num outro país, não tenho nada a perder, pensei.
Vou dar uma dica valiosa aos jovens aprendizes da arte da
conquista, não que eu entenda bolhufas, mas essa vocês tem que aprender: nunca,
absolutamente nunca, jamais, em hipótese alguma, pergunte a uma mulher que te
despertou algum interesse e não usa qualquer aliança em nenhuma das mãos se ela
tem namorado, pois ela pode até não ter, mas vai responder que sim e encerrar
ali algo que poderia render o que os dois se permitissem. Deixe pra outra
oportunidade, quando já tiver dominado a situação, mesmo que se ela tiver e se
interessou por você, ela vai omitir essa informação, quem sabe a pessoa esteja
vivendo um relacionamento falido, algo sem emoção, você não tem culpa de ter
chegado atrasado, um passo de cada vez, a vida é algo a ser construído, nunca
uma história acabada e sem reticências.
Então perguntei qual horário que seu expediente terminaria e
se poderíamos sair logo após para que ela pudesse me apresentar sua bela cidade
a um brasileiro fascinado pelo seu país, ela de pronto me respondeu de que
fecharia cedo, lá pelas 23h30 em razão do fraco movimento do dia, e que sim,
poderia sim sair. Ponto! Ali permaneci bebendo minha Bucanero todo feliz, até
ajudei a guardar as cadeiras pesadas de ferro maciço, as mais pesadas ficavam
presas a uma corrente pois eram impossíveis de serem levadas para dentro de tão
pesadas.
Saímos já próximo da meia noite, eu, ela e amiga dela,
quando as duas falavam entre si, poderiam estar me xingando que eu não entendia
absolutamente nada, mas quando ela falava calmamente e gesticulando bastante,
eu compreendia perfeitamente e também tinha o inglês que ela falava muito bem e
eu arranhava.
Fomos a um barzinho ali próximo, clipes de música cubana,
música latina de verdade, o ritmo regaton dominava a noite, era um barzinho
aconchegante com sofás confortáveis, gente cubana feliz, bebida barata, danças
sensuais e muita conversa e música.
E a conversa embalada ao bom e velho portunhol, inglês e mímicas
seguia a todo vapor, aguardando o momento certo de sentir o beijo da linda
morena do sorriso lindo.
Alí estava eu vivendo uma paixão em outro país como nos
filmes que mencionei no início, ali estávamos por volta das quatro da madrugada
andando pelas vielas de Havana fazendo selfies e registrando aquele momento com
um celular caríssimo, mas ela me tranqüilizou, aqui não há violência e nem
crime, foi quando como bom brasileiro lhe disse, pois no Brasil fazer isso a
esse horário em qualquer lugar é praticamente um pedido de assalto.
Paguei o seu transporte de volta pra sua casa, um carro
provavelmente da década de 50, de cor azul, compartilhado por várias pessoas.
No dia seguinte estaria em viagem para Varadero, a 150km de Havana, o paraíso
caribenho de Cuba, e só retornaria após cinco dias, ela prometeu que sairíamos
quando eu retornasse.
Retornei a Havana após conhecer o azul mais lindo que já vi
na vida travestido de mar de Varadero. Tinha poucas horas em Havana, pois o vôo
de retorno para o Brasil estava marcado para o dia seguinte.
Saímos, mais uma e a última vez, bebemos, conversamos,
sorrimos, devo ter retornado embriagado por volta das 05h, o vôo era as 07h,
capotei, meu amigo de viagem me acordou, levantei atordoado e retornei ao
Brasil com a imagem daquele lindo sorriso na cabeça.
Ela tinha me passado seu nome, lhe adicionei numa rede
social, não para minha surpresa, mas a foto do seu perfil era com seu namorado!
Entenderam agora porque nunca perguntar se há uma pessoa?
Trocamos poucas palavras pela rede social, até porque lá há
muita dificuldade de acesso a internet ainda, não foi paixão, nem amor, nem
romance, foi mais uma aventura que todos merecemos viver, afinal somos feitos
de histórias, e isso é que vale a pena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário